António Barreto critica sondagens Versão para impressão
Escrito por Angelo Barata   
Sábado, 31 Outubro 2009 14:00

sociólogo considera que «destruíram o mandato democrático»

  O sociólogo António Barreto criticou, na quinta-feira à noite, em Coimbra, a governação em função das sondagens. O sociólogo considerou que informação imediata gerou Governos para «as sondagens».

«A informação imediata tem muitos méritos, mas gerou os Governos para as sondagens que destruíram o mandato democrático, um dos actos mais nobres da vida política», afirmou o académico, que intervinha num jantar/conferência sobre o tema «Das dificuldades de governar Portugal».

«Desapareceu totalmente a ideia de mandato e três dias depois de qualquer Governo ou presidente da Câmara eleito há uma sondagem que destrói qualquer discussão séria sobre o que se está a fazer», acrescentou o sociólogo, citado pela Lusa.

De acordo António Barreto, «a vida política democrática ainda não soube encontrar meios de valorizar ou revalorizar a função de mandato, que é a nobilíssima função de depósito de confiança nas mãos de alguém, e portanto os Governos têm de governar para as sondagens».

António Barreto mostrou-se ainda preocupado com a «captura da vida política pelos grandes grupos económicos». «Nunca na história da humanidade os políticos estiveram tão presos, tão capturados como actualmente. Muitos políticos e poderes políticos não ficam descontentes com o facto de estarem capturados e outros ficam descontentes mas não podem fazer de outra maneira», referiu.

Como dificuldades mais específicas no desempenho de funções governativas, alertou ainda para a falta de diálogo nos Governos minoritários, a existência de sistemas fechados como a Justiça e a Educação, a legalização do «favoritismo partidário», a falta de dimensão política dos governantes e a ausência de avaliação legislativa.